O texto base de nossa reflexão, já na sua introdução, traz dados importantes para pensarmos acerca de uma nova proposta político-pedagógica para o Ensino Médio. Os índices de escolaridade líquida, de defasagem idade-série, de abandono e reprovação escolares, justificam a necessidade de repensar o processo educacional deste nível de ensino, seja ele em termos de equipamentos estruturais, seja no que tange ao pedagógico.
A “construção de uma nova proposta político-pedagógica em que o ensino das áreas de conhecimento dialogue com o mundo do trabalho, que interaja com as novas tecnologias, que supere a imobilidade da gradeação curricular, a seletividade, a exclusão, e que, priorizando o protagonismo do jovem, construa uma efetiva identidade para o Ensino Médio" (p. 06) é o grande desafio interposto para dar conta de um “o ensino se realiza mediante um currículo fragmentado, dissociado da realidade sócio-histórica, e, portanto, do tempo social, cultural, econômico e dos avanços tecnológicos da informação e da comunicação". (p. 05). A questão da formação técnica ainda estar "apartada dos rumos do desenvolvimento do Estado", é outro ponto de destaque que justifica a mudança da proposta político-pedagógica visando "preparar uma inteligência para os novos desafios". (p. 06).
O texto aborda também as diferentes formas de organizações curriculares e das modalidades de ensino pertencentes ao Ensino Médio, a fim de justificar a necessidade de "construir um currículo que contemple ao mesmo tempo as dimensões relativas à formação humana e científico-tecnológica, de modo a romper com a histórica dualidade que separa a formação geral da preparação para o trabalho". "Para tanto, parte-se do pressuposto que os docentes devem conhecer os processos produtivos que são objeto das propostas de formação, de modo a assegurar a relação entre teoria e prática", que são: a organização e gestão do trabalho mediados pela microeletrônica e o desenvolvimento de competências cognitivas complexas para poder acompanhar a dinamicidade da produção em ciência e tecnologia que caracterizam os processos sociais e produtivos contemporâneos. (p. 11). Neste ponto, reside a necessidade de mudança de paradigma, pois é preciso compreender que não há mais como separar o trabalho manual do intelectual. Na contemporaneidade não há como ser diferente, há que se pensar de forma complexa, exigindo, assim, práticas docentes que interligam o cotidiano com as bases técnico-teóricas do exercício laboral.
"Com o advento da microeletrônica, tanto o trabalho quanto a vida social se modificam, passando a ser regidos pela dinamicidade e pela instabilidade a partir da produção em ciência e tecnologia. A capacidade de fazer passa a ser substituída pela intelectualização das competências, que demanda raciocínio lógico formal, domínio das formas de comunicação, flexibilidade para mudar, capacidade de aprender permanentemente e resistência ao estresse". (p. 13).
No que se refere aos princípios norteadores, me parecem basilares: relação parte-totalidade, na qual a somente uma parte não diz do todo, tal qual que o saber popular, o senso comum precisa estabelecer diálogo com o conhecimento científico, sendo o educador um mediador entre tais saberes; a relação entre a teoria e a prática, a fim de que o conhecimento tenha um sentido; a interdisciplinaridade, como prática metodológica inclusive para o estudo dos temas transversais; a avaliação emancipatória e a pesquisa.
Em suma, enquanto proposta, nos parece trazer dados numéricos e outros apontamentos que justificam a necessidade de mudar a proposta político-pedagógica para o Ensino Médio no Estado do Rio Grande do Sul. Porém, a execução de tal proposta passa pela atitude dos docentes diante dos desafios para este nível de ensino, pois é necessário que os professores queiram trabalhar com novas tecnologias, almejem realizar um trabalho interdisciplinar, desejem conhecer a economia do Estado e se impliquem na formação dos estudantes de maneira que sua aula faça sentido na vida desses jovens/adultos.
Concordo que a proposta agora passa pelo desafio de se cumprir, mas tal desafio não se endereça somente aos professores. Como li em outro blog é necessário recuperar a infraestrutura das escolas e as condições de trabalho do profissional que ali está - o professor. Mas, com certeza, ter uma proposta que levanta os problemas e deseja enfrentá-los já envida uma perspectiva, para Ensino Médio, de vir a ser melhor.
ResponderExcluirAcredito, a proposta não está dando sucesso de imediato quando foi implementado em 2011 por causa da falta de diálogo com os professores. Toda a prosposta deve ser construída e num processo se implementadas nas escolas.
ExcluirVejo com bons olhos as atitudes do governo em relação a melhoria do ensino quanto a gestão compartilhada das escolas públicas. Nesta perspectiva a infraestrutura das escolas tendem a melhorar e consequentemente os salários dos professores.
Segue os links das duas video conferências disponibilidades na internet.
"Gestão Compartilhada da Escola Pública - Secretário da Educação Jose Clovis de Azevedo" em 19/07/2012.
"Fundamentos do Conhecimento e Aprendizagem" em 03/10/2012.
http://www.educacao.rs.gov.br/pse/html/videos.jsp?ACAO=acao1