Apreender-se, é um passo importante para quem quer se desenvolver; mais ainda para os ousados que desejam se debruçar sobre o ofício da transmissão.
Apreender-se é poder se perder, se encontrar e se reencontrar em um espaço que não tem um único início, uma única trajetória e muito menos um único fim.
Apreender-se, porém, exige alguma sustentação, não se dá a partir do desamparo, mas de alguns nomes/caminhos que podem ser usados como pista.
[Biblioteca (1949), de Maria Helena Vieira da Silva].
Copio o link: http://www.anped.org.br/33encontro/app/webroot/files/file/Trabalhos%20em%20PDF/GT15-6612--Int.pdf
No qual é possível encontrar um artigo da prof. Carla Karnoppi Vasquez, que me apresentou esta imagem e me instigou a algumas reflexões acerca da transmissão.
"Colocar a biblioteca como espaço privilegiado desta argumentação implica tomar como centro de discussão a linguagem e a leitura. Trata-se de um deslocamento do foco de atenção do sujeito com autismo, com psicose, com Transtorno Global do Desenvolvimento para o professor, o outro, que lê, interpreta e
constrói (im)possibilidades". (p.02)"A linguagem produz, constitui e transforma a realidade. Escrevemos aquilo que
compreendemos. E não compreendemos aquilo que a linguagem não consegue descrever,
construir, inscrever. Morada do ser, o sujeito e o mundo são seres da linguagem. Existe,
contudo, um resto, um vazio que a palavra, a letra, não recobre. Gadamer (2007) e Lacan
(1998) afirmam que o dizer e o compreender são impossíveis em sua totalidade. Ao contrário
da tradição científica que integra esse não-saber em sua argumentação, aspirando eliminá-lo,
conhecê-lo, os autores defendem a compreensão do não-saber na construção do conhecimento
de si e do mundo como intraduzível. Um impossível, um vazio de essência e determinação, a
partir do qual se constrói um saber sempre contingencial. Ao esvaziar a condição humana de
uma substancialidade prévia, permitem pensar o estar no mundo como uma posição
enunciativa construída na relação com a cultura, com o simbólico, com o outro". (p. 03 e 04)Então, me pergunto: o que tenho apreendido de mim?
Só depois poderei me perguntar o que tenho apreendido do outro...

A imagem é enigmática e traz esta ideia de perder-se para se encontrar (traduzida por ti). Ela foi apresentada no contexto de discussão sobre o autismo e nos apresenta o desafio de imaginar o mundo visto por outros olhos.
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